O caminho para casa era de aproximadamente
40 minutos. E naquele caminho ela passava por todos os lugares que havia vivido
há muito tempo atrás. As lembranças que havia deixado morrer ganhavam vida
novamente, como se todas as dores que ela vencera retornassem a dançar na sua
frente.
A ida para o serviço era sempre mais
simples: sair do subúrbio e ir para o bairro de classe média onde ela
trabalhava não era difícil. Passar por todos os lugares que lhe causaram
felicidade e dor e deixá-los para trás era fácil. Difícil era voltar
para eles no fim do dia. Avenida dos Estados, que cruza praticamente o ABC
inteiro, era uma Avenida cheia de significados, e todos os significados tinham
aquela menina envolvida.
Engolia a seco por saber que estava
prestes a passar em frente da rua dela. Aquela pessoa tão estranhamente
especial para ela, da qual ela nunca conseguiu se desfazer direito.
No caminho de volta, em uma das entradas da famosa avenida, ela passaria perto
de uma tal parque, no qual havia tanta felicidade. Ela nunca se esqueceu de
quando ainda se perdiam no labirinto cujas paredes não teriam mais de
1 metro de altura. Se entrasse hoje, conseguiria ver a saída. Lembrava também
de quando as duas pularam o muro para entrarem juntas, mas numa época onde realmente
importava a união entre elas. Lembrava-se da casa abandonada, das fotos, das
histórias...
Ia se aproximando daquela rua, aquela rua
da qual ela sabia que não podia desviar o olhar, sabia que não conseguiria
evitar pensar nas coisas que haviam ali. Conforme avançava o caminho ela
lembrava-se das bonecas, das histórias que elas criavam, das coisas que diziam
uma para a outra, das promessas que fizeram e que ficaram esquecidas no tempo.
Lembrou-se de todas as vezes que o silêncio dela a cortou tão profundamente, e
o como ela preferia que a dor dela encarnasse em seu próprio peito,
que a matasse aos poucos, e queria tanto que ela sorrisse mais uma vez. Ela não
sabia que o seu sorriso era mágico e que o sol parecia brilhar todas as vezes
que ela estava feliz.
Porém, o caminho de volta não despertavam
somente saudosas e felizes sensações. Ela se lembrou daquele dia, do qual ela
não conseguiu suportar ficar naquele lugar. Não eram somente as pessoas que a
incomodavam, mas o fato daquele sorriso, que um dia foi só sela, brilhar para
outra pessoa. Naquele dia, ela havia aprendido a escolher por si só, pois
antes, ela sempre seria sua primeira opção. Sem pestanejar. Ela
a escolheria no lugar de qualquer pessoa, porque ela era o que havia
de mais especial. As palavras soavam em seus ouvidos "Você é minha
irmã".
A rua se aproximava... As lágrimas já
rolavam. Ela pularia da moto e sairia correndo em direção aquela casa, para
poder dizer que sentia falta. Mas havia seu orgulho ferido. Ela era assim
mesmo, uma vez magoada ela dava as costas para quem a magoasse. Era uma técnica
defensiva. Mas com um só sorriso, aquela menina destruía todas as muralhas que
ela construía. Ela se lembrou de todos os que ajudaram aquela separação
acontecer e pensava "Eles venceram". E de fato venceram. E é bom que
fiquem felizes com o que conseguiram.
A moto estava a apenas uma quadra da rua,
e o coração dela a um milhão por minuto. Não podia evitar de lembrar o como foi
dolorido sair daquela festa. O como foi ruim deixá-la e nem ser notada, ser tão
bem vinda quanto uma pelota de mofo.
Enfim, o farol fecha exatamente na rua
onde ela passou os melhores momentos da sua vida. Seria uma chance divina para
voltar? Ou seria uma maldade demoníaca para fazê-la sofrer? Quem
saberia? Era como se seus olhos percorressem a extensão daquela rua:
o depósito, a casa, o mercado, a escola no final da rua. Tudo o que ela havia
vivido, e seu coração parecia parar de bater. O farol abriu, hora de voltar
para casa...
E ainda sim, ela ouvia seu coração chamar,
mas ninguém ouviria, o nome daquela que foi abraçada por Deus.

adorei o texto! Só achei ruim o fundo amarelo do blog que faz doer a visão huahauhauahuahauhauah
ResponderExcluirbjksssssssss